
Fabíola Marcotti, de 51 anos. (Reprodução)
“Único erro dela foi ter conhecido esse monstro”, disse o irmão da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, após a conclusão do inquérito policial que indicou que ela foi vítima de feminicídio. O médico João Jazbik Neto, de 78 anos, teve a prisão preventiva decretada na última sexta-feira (14).
Na segunda-feira (17), a PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), por meio da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), informou oficialmente que, após a conclusão das investigações, o caso foi considerado feminicídio. Mato Grosso do Sul já registrou 21 casos neste ano.
O irmão relembrou, mais uma vez, que ela era proibida de fazer inúmeras coisas. “Após o período em que foi viver com ele, foi mudando ao longo destes anos. Primeiro, foi se afastando das melhores amigas. Era proibida de fazer inúmeras coisas, deixou de ter vida social. Deixou de ter a própria”, contou.
“Provavelmente, deve ter sofrido muito na mão dele. O que eu particularmente espero é que ele passe o resto da vida preso, pois não tem condições de viver em sociedade, tamanha a crueldade que praticou contra minha irmã”, finalizou.

O que diz a defesa da família?
A defesa da família da Fabíola, representada pelo advogado Márcio Leonardo Almeida das Virgens, também se manifestou em nota.
“Não estamos diante de uma simples conclusão unilateral da autoridade policial. Houve uma investigação técnica, produção de laudos periciais, representação da Polícia Civil, manifestação favorável do Ministério Público e, posteriormente, análise pelo Poder Judiciário, que entendeu estarem presentes os requisitos legais e decretou a prisão preventiva.
É evidente que o investigado possui direito à ampla defesa e ao contraditório no momento processual adequado, assim como permanece assegurada a presunção de inocência. Mas esses direitos não tornam inexistentes os elementos colhidos durante a investigação, nem impedem a adoção das medidas cautelares expressamente previstas pelo Código de Processo Penal.
Quanto à afirmação de que o investigado permanece firme em sua versão, trata-se do legítimo exercício do direito de defesa. Entretanto, uma versão apresentada por qualquer investigado deve ser confrontada com os elementos objetivos produzidos pela investigação, sobretudo com a prova pericial. E foi justamente a evolução da prova técnica que levou as autoridades a afastarem a hipótese inicialmente apresentada de suicídio.
A família continuará respeitando o sigilo dos elementos que ainda não podem ser publicizados, confiando no trabalho da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário e buscando uma única coisa: verdade, justiça e respeito à memória de Fabíola.”
Preso
Durante audiência de custódia, na manhã de sábado (15), a Justiça manteve a prisão de João. Ele foi preso após a Justiça decretar sua prisão preventiva na sexta-feira (14). A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.
O cardiologista passou por exame de corpo de delito no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), no sábado. O relatório apontou que ele não apresentava sinais de lesão corporal recentes. Já durante a audiência com o juiz Francisco Soliman, João confirmou que não sofreu maus-tratos durante a prisão em flagrante ou na delegacia.
A defesa pediu a revogação da prisão e que ele fosse encaminhado para o Centro de Triagem devido à idade e ao estado de saúde. O magistrado não reconheceu o pedido de revogação da prisão por não ser o juiz competente para o caso, mas recomendou que o médico fosse encaminhado para o Centro de Triagem.
O que diz a defesa do médico?
Ao Jornal Midiamax, a defesa do médico, representada pelo advogado José Belga Assis Trad, afirma que o suspeito se mantém firme na sua versão.
“O inquérito policial é um procedimento inquisitivo, o que significa dizer que não há contraditório, nem exercício do direito de defesa, nessa fase processual. O processo se inicia em juízo com eventual recebimento da denúncia, quando então se abrirá prazo para o oferecimento de Resposta à Acusação, com oportunidade para a defesa apontar as nulidades processuais e requerer a produção de prova e contraprova. O Dr. João Jazbik se mantém firme na sua versão e lamenta todo tipo de exploração enviesada e sensacionalista da tragédia“, disse a defesa.

Relembre
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade na Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.
Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.
O cardiologista também foi preso, no dia da morte de Fabíola, por posse irregular de arma de fogo, após a polícia encontrar armamento sem documentação na casa.
Para os familiares da vítima, a decisão judicial assegura que os laudos periciais e os depoimentos das testemunhas sejam concluídos com “rigor técnico”. O caso segue sendo investigado.
Midiamax





