
Ameaças que a vítima recebeu na época. (Reprodução, Processo)
O agiota, de 18 anos, apontado até então como o principal suspeito de ser mandante da execução de Matheus Luiz de Castro Vasconcelos, de 22 anos, foi acusado de ameaçar um cliente, de 30 anos, em Campo Grande. As ameaças teriam ocorrido em fevereiro deste ano, quando a vítima procurou a 2ª DP (Delegacia de Polícia) para registrar um boletim de ocorrência.
Conforme o documento a que o Jornal Midiamax teve acesso, em novembro do ano passado a vítima havia feito um empréstimo de R$ 3 mil junto ao suspeito. Naquele momento, como garantia do pagamento, teria deixado uma motocicleta.
O pagamento da dívida teria atrasado cinco dias. Devido a isso, o suspeito passou a cobrar R$ 6 mil. Caso a vítima não realizasse o pagamento, teria a sua motocicleta vendida. Assim, ela realizou um empréstimo e conseguiu resgatar o veículo.
No entanto, ao pegá-lo, acabou percebendo que ele estava com defeito, tendo novamente realizado um novo empréstimo, desta vez no valor de R$ 1 mil, para pagar em cinco vezes de R$ 500. Faltando duas parcelas para quitar a dívida, a vítima teria ficado sem dinheiro.
Assim, na data do vencimento da parcela, perguntou se poderia pagar o valor de R$ 300 e o restante no próximo mês. Foi a partir daí que teriam começado as ameaças. O suspeito passou a xingá-lo, dizendo “enfia esses R$ 300 no seu c*” e “eu quero meu dinheiro até o final da tarde ou vou mandar alguém na sua casa quebrar os seus braços e te mandar dar um tiro na sua boca“.
Momentos depois, outras pessoas, não identificadas, teriam ido até a casa da vítima, onde a ameaçaram e disseram a um familiar dela que a matariam. Na noite seguinte, os indivíduos foram até o local, chutaram o portão da casa e chamaram a vítima para fora do imóvel.
Na delegacia, a vítima apresentou alguns prints das ameaças que teriam sido proferidas pelo suspeito através do WhatsApp. “Meu cobrador tá aí, vai matar você, filho da p*” e “Seu merda, amanhã vai ter cobrador dentro da sua casa com a pistola na sua boca” são algumas delas.
Conforme apurou a reportagem, o caso de ameaça continua em investigação. No mês de maio, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), através de um promotor de Justiça, solicitou que o juiz marcasse uma audiência de conciliação.
“O Ministério Público Estadual requer a designação de audiência preliminar, para tentativa de composição dos danos civis ou transação penal”, diz trecho do pedido de deferimento.
Já no mês seguinte, o suspeito entrou no caso com um advogado de defesa, que foi procurado pela reportagem na tarde desta terça-feira (28). O profissional decidiu não se manifestar sobre o caso.
Execução de Matheus
Matheus Luiz de Castro Vasconcelos, de 22 anos, foi executado com vários tiros na manhã do dia 22 de julho, no quintal da sua casa, no Parque dos Novos Estados, em Campo Grande. A dupla que efetuou os disparos fugiu e a motocicleta usada no crime foi apreendida pelo Batalhão de Choque no dia seguinte.
Na última sexta-feira (24), um mandado de prisão preventiva foi expedido em desfavor do suspeito. Apesar de a dupla responsável pela execução não ter sido localizada até o presente momento, algumas linhas de investigação que estão sendo conduzidas pela 3ª DP (Delegacia de Polícia) levam a crer que o rapaz, de 18 anos, pode ter sido o mandante do crime.
A defesa do jovem, representada pelo advogado Willian Frata, nega a participação do cliente no crime e ressalta que irá provar a Inocência. Ao Jornal Midiamax, o advogado afirma que não existem provas suficientes para a prisão do jovem, mas confirma que ele atua com empréstimo a juros.
“Não tem provas suficientes. O que existe ali é uma investigação em andamento, mas não tem nada que corrobore que foi ele o mandante intelectual dos crimes. São meras falácias, pessoas que supõem que é ele”, alega Willian Frata.
“Os R$ 600 mil eram espalhados pela praça; ambos emprestavam. Eles tinham negócios juntos. K** começou sendo cobrador dele com 16 anos de idade. Eles estavam trabalhando juntos”, afirmou.
Para a reportagem, a defesa afirmou que os dois eram amigos e, inclusive, já teriam realizado viagem para a praia juntos. “Eles eram muito amigos; tinham fotos até na praia juntos”, disse.

Matheus foi executado. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
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