Trajetória: Bernal furou a bolha política em Campo Grande e morreu na véspera do aniversário

Alcides Bernal após sessão que resultou em sua cassação. (Arquivo, Jornal Midiamax)

O primeiro prefeito cassado da história de Campo Grande, Alcides Bernal, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), vítima de infarto após sofrer trombose em uma artéria do coração, um dia antes de completar 61 anos.

Corumbaense, Alcides Bernal se formou advogado e ficou conhecido pela voz em programas de rádio em Campo Grande. O sucesso acabou levando-o para a política e, no ano de 2004, foi eleito vereador na Capital pelo PMN, com 4.772 votos. Já em 2006, chegou a lançar candidatura a deputado estadual, mas foi considerado inapto.

Em 2008, conseguiu a reeleição como o vereador mais votado de Campo Grande, com 12.294 votos. Já com mais capital político, Bernal conseguiu ascender à Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), com 26.156 votos para deputado estadual.

Bernal sonhava em ir mais longe e, em 2012, voltou às eleições para tentar ser prefeito de Campo Grande. Ele foi ao 2º turno e acabou vencendo a disputa contra Edson Giroto — que, aliás, passou em frente à cena do crime no dia em que Bernal atirou em Mazzini.

Dois anos após assumir a Prefeitura de Campo Grande, em 2014, Bernal tentou se eleger senador, mas acabou em terceiro lugar, com pouco mais de 204 mil votos.

Vitória meteórica e crise institucional

A passagem pela Prefeitura de Campo Grande foi marcada por polêmicas, a começar pela forte oposição na Câmara, já que Bernal foi eleito em coligação de um partido só. Na época, o sucesso foi tão grande que seu aliado próximo também foi eleito vereador, o Chocolate Jarbas.

Desde os primeiros meses de governo, a gestão de Bernal foi marcada por atritos com a Câmara e dificuldades de governabilidade.

Além disso, o radialista teve que enfrentar uma severa epidemia de dengue em Campo Grande. Mais de 13,4 mil casos foram notificados apenas nos primeiros 24 dias de mandato.

Cassação

Em março de 2014, com pouco mais de um ano de gestão, Bernal enfrentava o estopim da relação dele com o Legislativo. Os vereadores instauraram uma comissão processante, procedimento que antecede a cassação.

As justificativas foram que Bernal teria cometido irregularidades em contratos emergenciais firmados durante a epidemia de dengue, descumprido regras no remanejamento de verbas, em que o então prefeito teria ultrapassado o limite sem autorização da Câmara, havendo falta de transparência.

Declínio político e prisão por homicídio

Ele chegou a concorrer às eleições de 2016 para a Prefeitura, mas não conseguiu ir ao segundo turno, acabando em terceiro lugar, com 111 mil votos. Naquela ocasião, o deputado estadual Marquinhos Trad venceu a disputa contra Rose Modesto.

Depois que deixou a Prefeitura, Bernal não conseguiu voltar ao Paço em 2016. Tentou concorrer a deputado federal em 2018, mas também foi considerado inapto por estar inelegível.

Já em 24 de março de 2026, a polícia foi acionada para uma ocorrência com tiros, em uma casa na Antônio Maria Coelho. Lá, encontraram o auditor tributário Roberto Carlos Mazzini morto a tiro.

O crime aconteceu em uma casa que pertenceu a Bernal, mas foi arrematada em um leilão por Mazzini, no ano passado. Na tarde de 24 de março, Roberto foi até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi alvejado por ao menos dois tiros, que atingiram a região da costela, transfixando-a, e a dorsal da vítima. Após o crime, o ex-prefeito se entregou na delegacia de polícia.

Inclusive, o primeiro infarto de Bernal foi horas após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negar outro pedido de liberdade.

Bernal foi pronunciado por homicídio qualificado, cometido por meio cruel e por utilizar um recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ter uma causa especial de aumento de pena devido à idade da vítima, que era superior a 60 anos, e por invasão de domicílio.

O ex-prefeito também foi pronunciado por porte ilegal de arma de fogo, nas modalidades “manter sob sua guarda” e “portar” em relação ao revólver de calibre .38 Special. A prisão preventiva de Bernal também foi mantida pelo juiz.

Midiamax

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