Defesa alega inocência de sargento preso por suposta ‘sociedade’ com traficantes

Imagem ilustrativa. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

A defesa do sargento da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) Marcos Augusto Barbosa, preso na quinta-feira (28) durante a Operação Janus, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), pontua a Inocência do militar. A operação acontece após 14 meses de investigações que revelaram um esquema de associação ao tráfico de drogas e à agiotagem.

As investigações tiveram início após denúncias revelarem que os policiais associaram-se a traficantes locais para a venda de drogas. Assim, eles são apontados por firmarem uma parceria com os criminosos para permitir que vendessem drogas livremente. Inclusive, eram violentos com os rivais dos traficantes.

Segundo as investigações, os envolvidos forneciam drogas para que os comparsas revendessem e repassassem os lucros depois. Algumas das drogas fornecidas eram desviadas de apreensões em flagrante após informações repassadas pelos próprios “sócios” no esquema criminoso.

Além disso, alguns dos policiais eram agiotas no esquema. Sendo contratados para ameaçar os devedores, usando da condição de agente da segurança pública.

Inocência

Já nesta sexta-feira, os presos passaram por audiência de custódia, mas foi mantida a decretação das prisões preventivas que haviam sido pronunciadas pelo juízo da Auditoria Militar Estadual. Procurado pela reportagem do Jornal Midiamax, o advogado Gerson Almada Gonzaga, que atua na defesa do sargento Augusto, frisou a inocência do seu cliente no esquema.

“Semana que vem estão previstas várias oitivas no Gaeco e estamos seguros de que, após essas oitivas e com a análise do material apreendido, o próprio Gaeco fará o pedido de revogação da prisão do Marcos, porque certamente chegarão à conclusão de que ele é inocente e isso ficará provado durante a instrução criminal”, afirmou Almada.

Para a defesa, o sargento que atua há mais de 43 anos no estado não será denunciado pelo Gaeco. “Entendemos que, após a análise das provas colhidas e das que virão, sequer será denunciado pelo Gaeco, porque é latente a sua inocência”.

Neste momento, o processo corre sob segredo de justiça; assim, a defesa aponta que ainda está tentando acesso aos autos. “A fim de estudar quais os próximos passos que iremos traçar, mas de antemão adiantamos que iremos entrar em breve com pedido de revogação da prisão preventiva e, se não houver provimento, ajuizaremos Habeas Corpus no Tribunal de Justiça de MS”, finalizou.

PMs são afastados

Os quatro policiais militares presos durante a Operação Janus serão afastados de suas funções. Para a reportagem, a PMMS informou que acompanha todo o processo e que os militares envolvidos serão afastados. Posteriormente, eles serão encaminhados ao PME (Presídio Militar Estadual).

“Os militares envolvidos serão prontamente afastados de suas funções, e já foram instaurados os devidos procedimentos administrativos internos cabíveis para apuração dos demais fatos e responsabilização das condutas em nível disciplinar, com posterior aplicação das sanções consideradas cabíveis. Após os trâmites legais, os militares presos serão conduzidos ao Presídio Militar Estadual”, informou, em nota.

A corporação ressaltou que não coaduna com desvios de conduta e que isso não reflete o padrão de atuação do efetivo. Por fim, afirmou que colabora com o MPMS e ficará à disposição para todo o apoio necessário ao andamento das ações.

“A PMMS enfatiza que eventuais desvios de conduta individuais não refletem o padrão de atuação dos nossos homens e mulheres, que trabalham diuturnamente em todos os 79 municípios do estado, buscando sempre garantir a segurança da população sul-mato-grossense. Ressaltamos que a Instituição não coaduna com desvios de conduta ou procedimentos que extrapolem os limites operacionais estabelecidos em nossas doutrinas e diretrizes”, destacou.

Midiamax

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