
A família utilizou camiseta para representar o pedido de justiça. (Foto: Mariana Pesquero, Midiamax)
67 anos de prisão em regime fechado, essa foi a condenação de João Augusto Borges de Almeida pelo duplo feminicídio da esposa, Vanessa Eugênio Medeiros, e da filha, Sophie Eugênio Borges, de 10 meses. A condenação trouxe sensação de justiça para a família das vítimas; no entanto, a permanência da dor foi relatada após a sentença.
“A Justiça foi feita, mas a gente queria que fosse eternidade. Estou me sentindo muito triste, ele acabou com minha família, meu sonho era ter a netinha. Eu tenho muita saudade, todo dia eu falava com ela. Me mandava foto da neném”, disse Eneide Eugênio.
Para a irmã de Vanessa, que também acompanhou o julgamento do ex-cunhado, a sentença trouxe a sensação de que a Justiça, em partes, foi feita.
“Sentimento é que passou uma fase, não é como a dor fosse cessar, mas já é uma resposta. É uma forma de a gente ver que a justiça foi feita. Uma parte, sim, pelo fato de que a gente tem aquele sentimento de que ele vai pagar pelo que ele fez, que traz, sim, um certo alívio. Ficaram só saudades e lembranças boas”, disse a irmã, Wesla Kenya.
“A pena foi aplicada de forma justa, com 67 anos de prisão, e agora nós aguardamos o desenrolar dos próximos passos do processo, que deve ter recurso pelo Tribunal de Justiça, mas até aqui o trabalho que era para ter sido feito foi prestado a contento. Sinto que agora é um momento de virada de página, na Justiça o papel está sendo cumprido”, afirmou o advogado de acusação.
Nesta quarta-feira, completou-se exato um ano da prisão de João Augusto. Isso porque ele foi preso enquanto registrava um boletim de ocorrência de desaparecimento das vítimas. “Esse tipo de crime não é tolerado neste estado, é repudiado nessa sociedade. Se porventura acontecer, vai ter essa mesma resposta, essa é a expectativa que fica e resposta social que o plenário do júri ofereceu à sociedade”, finalizou o advogado.

Família de Vanessa e Sophie durante o julgamento. (Foto: Mariana Pesquero, Midiamax)
Relembre o crime
João Augusto foi preso no dia 27 de maio do ano passado, quando registrava boletim de ocorrência na 6ª DP (Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande), alegando desaparecimento de Vanessa e Sophie. Assim, a DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) foi acionada e passou a investigar o caso.
Em coletiva de imprensa na época, o delegado Rodolfo Daltro deu detalhes do interrogatório de João, que se demonstrou frio durante todo o tempo. Segundo ele, o homem matou a companheira e depois assassinou a bebê esganada.
“Total frieza! Ele relata que aplicou um mata-leão na esposa, com um pretexto de conversar sobre o relacionamento. Ele chamou ela até o quarto e ela deixou a criança na cama com uns brinquedos. Depois, ele a chamou para conversar sobre o casamento, ele deu um mata-leão, imobilizou pelos pés também; em seguida, direcionou-se à criança e a esganou”, explicou.
Logo que saiu do trabalho, às 19 horas, o homem passou em um posto de combustíveis, onde comprou R$ 16 de gasolina. Ao chegar em casa, enrolou Vanessa e a pequena Sophie em cobertores, colocou as duas no porta-malas de um carro modelo Gol, de cor preta, e foi até a região do Indubrasil. Lá, o suspeito ateou fogo na companheira e na filha.
Imagens de câmeras de segurança da região registraram o momento em que João Augusto colocou fogo no corpo da filha e da esposa.
Midiamax












































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