Endividamento é alto, mas fim das bets deve devolver dinheiro aos supermercados

Consumidora olha prateleira para escolher ovos em supermercado. (Foto: Arquivo)…

O dinheiro que antes era destinado às apostas online pode voltar aos carrinhos de supermercado, mas o alto endividamento das famílias deve retardar essa recuperação. A avaliação é da Amas (Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados), que considera o fim das bets uma oportunidade para recuperar parte dos recursos que deixavam de ser utilizados em despesas básicas, como a alimentação.

Para a entidade, as apostas comprometiam uma parcela do orçamento doméstico que poderia ser destinada à compra de produtos essenciais. Com a proibição das plataformas, a expectativa é de que esses valores retornem gradualmente ao comércio, principalmente aos supermercados.

Outro ponto levantado pela AMAS é que, caso a proibição se mantenha, “as famílias passarão a utilizar os valores que antes eram destinados às apostas nos supermercados, principalmente”.

A avaliação da entidade sul-mato-grossense acompanha uma percepção nacional. Na semana passada, o presidente da rede atacadista Assaí, Belmiro Gomes, apresentou relatório que aponta sinais iniciais de melhora no consumo durante o quarto trimestre, principalmente em cidades do interior e bairros de menor renda.

O levantamento considerou que as restrições às apostas online podem estar contribuindo para aliviar o orçamento das famílias e favorecer a compra de alimentos. A avaliação, contudo, ainda não representa uma recuperação consolidada das vendas.

O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) faz a mesma previsão. O presidente nacional da entidade, Rodrigo Soares, já comentou que o capital antes usado nessas plataformas vai voltar para as mãos dos consumidores, reaquecendo o varejo. Somente em 2025, as bets somaram R$ 65 bilhões em apostas dos brasileiros.

Proibição – As bets foram proibidas em todo o território nacional por meio da Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro de 2026. A determinação alcança apostas esportivas e jogos online de quota fixa, inclusive aqueles oferecidos por empresas sediadas no exterior.

Desde a publicação da medida, as plataformas ficaram impedidas de receber novos depósitos. O cronograma estabeleceu que os sites e aplicativos deveriam deixar de funcionar em 6 de outubro.

Os apostadores tiveram até 5 de outubro para retirar voluntariamente os saldos disponíveis. Para os valores não resgatados, a legislação estabeleceu procedimentos de devolução pelas instituições financeiras, com participação da Caixa Econômica Federal nos casos de dificuldades operacionais. Campo Grande News

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