
Tapetes decoram as ruas da cidade na data. (Foto: Thaís Cardoso/Jornal Midiamax)
A celebração de Corpus Christi ocorre nesta quinta-feira (4) com programação diversa em Campo Grande, que terá atividades como confecção de tapetes, Santa Missa, procissão e show de cantor católico. Feriado nacional, o dia exalta o corpo de Jesus Cristo e possui um significado profundo para a religião católica.
Segundo o padre Cleber Brugnago Rosa, coordenador arquidiocesano de Pastoral, Corpus Christi é um dia reservado para a proclamação pública da fé na Santíssima Eucaristia, do corpo e sangue de Cristo.
“Antes de se entregar na cruz, antes de sua ressurreição, Cristo quis permanecer conosco. Ele não nos deixou sozinhos, abandonados. Então, ele nos deu o seu corpo e o seu sangue, dizendo: ‘Tomai todos e comei. Isto é o meu corpo. Tomai todos e bebei. Isto é o meu sangue. Fazei isto em memória de mim’. Então, ele perpetua a sua presença entre nós por meio de seu corpo e sangue, da Santíssima Eucaristia”, explica o padre.
Decoração ‘para receber o Senhor’
Os tradicionais tapetes enfeitam as ruas de diversas cidades no Brasil no feriado de Corpus Christi. As paróquias se mobilizam, com milhares de voluntários, para a confecção dos desenhos, que utilizam materiais descartáveis e reutilizáveis. Conforme o coordenador arquidiocesano, o costume busca decorar as ruas para a passagem de Cristo.
“O tapete, aquela decoração, expressa a fé, um sentimento. Vai passar sobre esta obra de arte, sobre este artesanato, o meu Senhor, o meu Salvador […] Ele vai às ruas e elas não devem ficar da mesma maneira como estão para todos os dias, mas preparadas para receber o Senhor da vida, para receber o Senhor Salvador”, explica.
“Por exemplo, se vai a Toledo, na Espanha, [já] existe um outro tipo de decoração. São decorações feitas para a parte superior da rua. São ruas muito estreitas. Tem uma espécie de toldo que se coloca para Jesus passar por baixo”, completa Cleber.
As exposições, que ocorrem em vias públicas do centro da cidade, são importantes para divulgar e expressar a fé dos católicos pelo mundo inteiro.
Preparativos para a celebração
Para que as celebrações possam ocorrer no dia de Corpus Christi, muitas paróquias e grupos, como pastorais, movimentos e serviços da Arquidiocese, preparam-se previamente. O trabalho começou ainda em março, para acionar os órgãos oficiais.
“Nós estamos preparando esta celebração desde o dia 19 de março, quando começamos a expedir os primeiros ofícios aos órgãos públicos aqui da Capital”, diz o padre. Entre os órgãos, estão a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Guarda Municipal e a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). Ruas de Campo Grande estarão interditadas entre quarta (3) e sexta-feira (5).
Além disso, a Arquidiocese de Campo Grande promove visitas de padres, diáconos, músicos e leigos a hospitais e Uneis (Unidades Educacionais de Internação) desde esta quarta-feira (3), além de visitas a presídios.
Antes da principal ação, que é a Santa Missa, marcada para ocorrer às 15h na Praça do Rádio Clube, as paróquias se mobilizam com milhares de voluntários para a organização da celebração. “Se pegar aqui, em média, a gente conta com 100 pessoas de cada paróquia. Nós temos aí 52 paróquias, [então] temos mais de 5 mil pessoas mobilizadas naquela manhã de quinta-feira — que este ano é 4 de junho — pelas ruas do Centro da nossa Capital.”
Surgimento da data
A história da data de Corpus Christi surgiu em Liège, na Bélgica, e começou na primeira metade do século XII. No ano de 1124, o bispo Albero de Liège fundou o Movimento Eucarístico na Abadia de Cornillon. Na época, a superiora da Abadia Santa, Juliana de Monte Cornillo (ou Juliana de Liège), possuía grande veneração ao Santíssimo Sacramento.
Conforme o Vatican News, ela esperava que houvesse uma festa especial em sua honra. Neste ano, ela teria tido uma visão da igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significava a ausência dessa solenidade. Então, comunicou a visão ao bispo e ao arquidiácono de Liège, Dominico Hugh, que se tornaria, mais tarde, papa Urbano IV.
A corte do Papa Urbano IV ficava em Orvieto, ao norte de Roma, próximo a Bolsena, onde, por volta de 1263 ou 1264, aconteceu o Milagre de Bolsena. Um sacerdote, que tinha dúvidas se a Consagração era real, viu sair sangue de dentro da sagrada hóstia, que ‘empapou’ o corporal (pano onde se apoiam o cálice e a patena).
O Papa Urbano IV estendeu a festa para toda a Igreja, fixando-a na quinta-feira após a oitava de Pentecostes. No entanto, sua morte em outubro de 1264 dificultou a difusão da celebração. No entanto, o seguinte papa, Clemente V, tomou o assunto em suas mãos e, no Concílio Geral de Viena, em 1311, ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Porém, apenas em 1500 o Concílio de Trento declarou o sacramento com singular veneração e solenidade, com a procissão pelas ruas e pelos locais públicos.
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