Bebê morre durante parto e a polícia investiga negligência médica

Imagem ilustrativa. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Uma mãe perdeu o filho na madrugada desta quinta-feira (9), após suspeita de negligência médica durante o parto em Nova Alvorada do Sul, a 102 km de Campo Grande. O caso foi denunciado na Polícia Civil de Rio Brilhante, como preservação de direito.

Conforme o boletim de ocorrência, a jovem, que estava com gravidez de risco e com aproximadamente 33 semanas de gestação, deu entrada por volta das 17h de quarta-feira (8) no Hospital de Nova Alvorada, em trabalho de parto. No entanto, na unidade, não teria anestesista nem pediatra — uma vez que o hospital de referência seria em Campo Grande.

Contudo, a mãe permaneceu no Hospital de Nova Alvorada até a 0h. Durante o período, as equipes realizaram a tentativa do parto normal; no entanto, não obtiveram êxito. Assim, foram realizadas diversas manobras, que incluíram o procedimento de Kristeller — consiste na aplicação de pressão no fundo do útero — com emprego de força.

A denúncia aponta que, em decorrência da manobra, teriam sido ocasionadas lesões como edemas, hematomas e escoriações na região vaginal da jovem — em razão do uso de fórceps, aparelho utilizado para forçar a saída do feto por meio de força exercida sobre a cabeça.

A caminho de Rio Brilhante

Já na madrugada de quinta-feira, por volta da 0h27, o diretor clínico da unidade de Nova Alvorada do Sul teria ligado em Rio Brilhante, informando que a mãe estava sendo encaminhada. O boletim de ocorrência alega que, apesar de a referência ser Campo Grande e de não haver regulação prévia pelo sistema competente, logo em seguida, por volta de 0h30, a equipe de Nova Alvorada chegou ao hospital de Rio Brilhante.

Segundo apurado pelo Jornal Midiamax, a gestante deu entrada na unidade em uma ambulância acompanhada por uma médica obstetra, enfermeira e técnica de enfermagem que adentraram ao centro cirúrgico da unidade alegando situação de emergência.

Entretanto, é denunciado que, em razão da ausência de preparo da equipe local e dos trâmites não observados, houve divergência entre as equipes, momento em que, segundo o relato, os profissionais passaram a afirmar que estaria ocorrendo omissão de socorro.

Com isso, foi gerado um tumulto no ambiente hospitalar, uma vez que mencionaram sobre o acionamento policial e também adentraram ao centro cirúrgico sem permissão.

O hospital de Rio Brilhante realizou o parto; contudo, devido à demora, a criança, que já havia chegado com sofrimento fetal ao nascer, precisou ser entubada e não resistiu, falecendo por volta das 4h.

Agora, com a morte da criança, o caso foi denunciado na Delegacia de Polícia Civil de Rio Brilhante como Preservação de Direito. Por fim, deverá ser investigado pelas autoridades competentes.

Família

Por telefone, a reportagem do Jornal Midiamax, conversou a avó do bebê, que se diz revoltada com a situação.

“Eu estou revoltada e decepcionada, nunca precisei tanto e, quando precisei, não tive suporte de nada, muito pelo contrário. Eu me senti humilhada. É muito triste, foi planejada [a gravidez]”, disse a avó.

Segundo a avó, a equipe médica tinha ciência de que a gestante não poderia fazer parto normal, uma vez que tinha exames que comprovavam que a gravidez era de risco. No entanto, quando entrou na sala, onde a nora estava em trabalho de parto, teria ficado chocada com a cena encontrada.

“Quando eu entrei, não aguentei ficar muito tempo. Eles subiam em cima da barriga, colocavam um ferro. Eu nunca vi uma situação daquela, eu fiquei com medo e com dó. Eu tentei ajudar ela também e ela falava: ‘não é porque eu não quero, é porque eu não consigo”, relembrou.

O que diz a Prefeitura de Nova Alvorada do Sul?

“O Município informa que determinará a abertura de procedimento interno para apuração detalhada dos fatos relatados, com o objetivo de verificar as circunstâncias do atendimento prestado, analisar eventuais falhas nos fluxos de atendimento e identificar possíveis responsabilidades. A apuração será conduzida com rigor e transparência.

A administração municipal ressalta que não compactua com qualquer forma de negligência, omissão ou conduta incompatível com os princípios da ética, da responsabilidade profissional e da humanização no atendimento em saúde, e caso sejam constatadas irregularidades ou falhas na prestação do serviço, as medidas cabíveis serão adotadas, nos termos da legislação vigente.

O Município também reforça que atualmente a administração do Hospital Municipal é feita por uma Organização Social contratada e que a atuação da Administração restringe-se à fiscalização da qualidade do atendimento.

Diariamente toda a equipe se esforça para garantir atendimento digno, seguro e humanizado à população, mesmo diante dos desafios enfrentados por todo o sistema público de saúde. Ainda assim, a gestão compreende que relatos da comunidade são fundamentais para o aprimoramento constante dos serviços e para a correção de eventuais problemas que possam ocorrer.

Por fim, o Município coloca-se à disposição da família para acolher formalmente suas manifestações e obter todas as informações necessárias que possam contribuir com a completa elucidação dos fatos, reafirmando o compromisso da administração municipal com a transparência, a responsabilidade e a melhoria contínua dos serviços de saúde oferecidos à população.”

O que diz o Hospital de Rio Brilhante?

“A paciente foi admitida na unidade hospitalar de Rio Brilhante sem comunicação prévia pelos canais oficiais e sem encaminhamento pela Central de regulação do SUS, sendo prontamente acolhida pela equipe assistencial. Diante da avaliação clínica inicial, foram adotadas de forma imediata todas as medidas necessárias, conforme os protocolos vigentes, com prioridade à segurança materna.

Destaca-se que a unidade hospitalar dispõe de equipe capacitada e estrutura adequada para atendimento de urgências obstétricas de baixo risco, tendo garantido assistência ágil e tecnicamente adequada no momento da admissão.

Ressalta-se que a organização dos fluxos de encaminhamento e regulação entre os municípios deve ser realizada por meio da Central de Regulação (CORE), conforme normativas do sistema de saúde, sendo este o canal oficial para solicitação de vagas e transferência de pacientes, cujo cumprimento é essencial para a adequada preparação da unidade receptora e continuidade segura do cuidado.

Neste momento, o Hospital e Maternidade de Rio Brilhante manifesta solidariedade à paciente e seus familiares, reafirmando seu compromisso com a qualidade da assistência, a segurança do paciente e a humanização do cuidado.

A instituição informa, ainda, que está à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários à completa elucidação dos fatos.”

*Matéria editada às 18h25 para acréscimo de posicionamento

Midiamax

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