‘Foi negligência’, diz tia de menino de 9 anos que morreu após saga em UPA

João Guilherme gostava de fazer desenhos. (Foto: Arquivo Pessoal)

A família de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, afirma que houve negligência no caso do menino, em Campo Grande. Isso porque a criança passou por diversos atendimentos médicos em unidades de saúde da cidade, após apresentar um ferimento no joelho, e morreu na terça-feira (7).

João Guilherme estava com o joelho trincado e passou por exames de raio-x, mas somente na quarta ida à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) foi detectada a lesão. A mãe afirma que o filho não recebeu o atendimento médico adequado, pois não foram feitos exames para verificar as dores de que João estava se queixando.

A criança está sendo velada na manhã desta quarta-feira (8) e, durante o velório, a tia de João Guilherme detalhou o atendimento médico prestado na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Universitário.

Segundo Adriana Soares, foram mais de 2h30 de espera na segunda-feira (6). Neste dia, a criança chegou desacordada à unidade e foi entubado. Depois, foi transferido para a Santa Casa, onde foi entubado novamente e não resistiu.

“Disseram, primeiro, que ele tinha sofrido uma parada cardiorrespiratória e entubaram, só que a causa de tudo ninguém nunca disse. Tanto que, a primeira vez que falaram que ele sofreu a parada cardiorrespiratória, eu perguntei para a médica se ela sabia me informar o que aconteceu, pois eu havia chegado naquela hora. Ela falou: ‘Não tem como agora, não sei ainda, tenho que atender’”, explicou ao Jornal Midiamax.

Adriana contou que, inicialmente, até entendeu o motivo de a equipe não informar o que estava acontecendo, visto que todos estavam realizando manobras de reanimação na criança. No entanto, a família relatou que não foi comunicada sobre o que, de fato, aconteceu com João Guilherme.

‘Entubação errada’

A tia revelou que o laudo emitido na Santa Casa aponta que houve uma entubação errada na UPA. “No laudo da Santa Casa, eles disseram que foi uma entubação errada”, contou.

Diante da morte do menino, a família foi até a delegacia e registrou boletim de ocorrência. Lá, os parentes foram orientados a procurar o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para apurar negligência. A família pede justiça.

“A gente registrou ontem e na própria delegacia nos orientaram a procurar o Ministério Público, porque tinha sido negligência. Devido aos trâmites com o velório, ainda não fomos, mas queremos justiça. Foi negligência, uma criança de 9 anos e saudável, com toda a vida pela frente, por um erro médico, acabou perdendo a vida”, afirmou Adriana.

‘Brincalhão’

Durante entrevista à reportagem, Adriana descreveu o sobrinho como uma criança amorosa, ativa e brincalhona. “Muito ativo, brincalhão, gostava de contar histórias, de desenhar, fazia desenhos lindos. Era muito amoroso, uma criança saudável sem comorbidade, sem doença, nada”, falou a tia.

Descaso foi denunciado à polícia

João Guilherme estava jogando bola na última quinta-feira (2) quando caiu e foi levado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Tiradentes. Lá, a criança passou por consulta, fez um raio-x e foi liberado com uma receita para dipirona e ibuprofeno. A mãe relatou que ele não apresentava lesão na perna esquerda, mas sentia dor.

“Estava jogando bola quando caiu. Foi uma queda, aparentemente normal, como de qualquer criança. Mas a gente nunca imagina que uma queda, que trincou o joelho, pudesse levar a óbito”, lamentou Adriana à reportagem.

Idas e vindas nas unidades

No dia seguinte, a mãe notou que João não estava bem e levou o filho para a UPA do bairro Universitário, onde passou por consulta novamente e foi liberado com receita para a mesma medicação de quinta-feira (2).

Já no sábado (4), o menino foi levado novamente para a UPA do Universitário, passou por consulta e recebeu uma injeção. Naquele dia, a mãe contou que o filho estava com bastante dor no peito; a médica que o atendeu teria dito que seria apenas ansiedade e liberou a criança.

A mãe retornou à UPA na tarde de domingo (5), ocasião em que João ficou em observação e foi submetido a outro raio-x. O exame teria apontado que o joelho esquerdo do menino estava com uma lesão, e ele foi liberado para que, na segunda-feira (6), fizesse a tala na Santa Casa.

Assim, a mãe levou a criança para o hospital na segunda (6), onde foi feita a tala na perna esquerda, e João foi liberado. No mesmo dia, ele passou mal e desmaiou, momento em que a mãe percebeu que o filho estava roxo, principalmente nas pernas.

A situação ficou preocupante, e a família levou o menino para a UPA do Universitário, onde ele chegou desacordado e foi recepcionado por uma mulher, que seria enfermeira. Os funcionários da unidade teriam dito que não havia médico na UPA, mas colocaram João em uma maca e começaram a reanimá-lo.

Na ocasião, a equipe teria colocado oxigênio, entubado o menino e o encaminhado para a Santa Casa. No hospital, ele foi reanimado novamente e não resistiu.

Midiamax

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