‘Grande mulher’: amigos e conhecidos lamentam feminicídio de idosa em Corumbá

Rosana Candia Ohara tinha 62 anos. (Reprodução, Redes Sociais)

A morte de Rosana Candia Ohara aos 62 anos gerou forte comoção entre amigos e conhecidos no município de Corumbá, a 413 quilômetros de Campo Grande. Ela foi assassinada com pauladas no rosto pelo ex-companheiro, Antônio Lima de Ohara, que está preso desde a noite de sábado (24).

O crime aconteceu na residência da vítima, localizada na Vila Guarani. Um vizinho ouviu gritos de socorro da idosa, gritou para que o feminicida parasse, mas Antônio sorriu e continuou agredindo Rosana naquela noite.

Nas redes sociais, diversos comentários de amigos, conhecidos e vizinhos revelam quem era Rosana. “Era uma grande mulher, guerreira sempre trabalhando pelos filhos ajudando o lar em tudo, conheci ainda jovem quando tinham a frutaria ali na 13 com a 7…”, comentou uma conhecida.

Outro conhecido de Rosana relatou que a idosa havia se mudado de Corumbá, mas teria retornado ao município para ajudar o ex-companheiro. “Foi embora da cidade, mas resolveu voltar para ajudá-lo pois ele vivia sozinho sem ninguém para ajudá-lo e tem problemas de saúde. Ela morava em casa separada mas fazia tudo para ele”, revelou o conhecido.

Ainda conforme o comentário, a idosa teria sido surpreendida pelo ex quando jogava água nas plantas de sua casa. “Só que em dezembro ela foi passar Ano Novo com a filha em Campo Grande. Aí desde então ele ficava falando que ela tinha outro como se ele ainda fosse marido dela. Brigava com ela e ela falava que não tinha ninguém pois não saía para Lugar nenhum. Ela vendia plantas e ele pegou ela quando ela molhava as plantas”, comentou o conhecido nas redes sociais.

Violência chocou conhecidos e vizinhos

A violência praticada por Antônio também deixou conhecidos e vizinhos em choque. Rosana sofreu um ferimento na região frontal do crânio, com bastante sangramento, em decorrência das pauladas no rosto desferidas pelo ex-companheiro. “Era vizinha minha triste nunca pensei de ver isso perto de minha casa”, escreveu um vizinho.

O desespero dos filhos de Rosana durante o velório também chamou a atenção. A idosa foi velada no domingo (25) e o caixão precisou ser fechado, possivelmente devido às pancadas no rosto. “Sem ver a mãe lá estava sua filha nem se quer ver pelo menos o rosto da sua mãe, a despedida, esse homem foi cruel”, comentou uma pessoa conhecida.

Ainda no domingo (25), o prefeito de Corumbá, Dr. Gabriel Alves de Oliveira, manifestou-se sobre o feminicídio. “Inaceitável” e uma “violação dos direitos humanos” — assim o prefeito classificou o crime, que causou forte comoção na cidade. O prefeito afirmou ser dever do poder público e da comunidade agir para prevenir, denunciar e combater a violência contra a mulher.

Feminicídio

Segundo o boletim de ocorrência, a PM (Polícia Militar) foi acionada por um vizinho, que ouviu gritos de socorro de Rosana e se deparou com a agressão, na Vila Guarani. Ele gritou para o homem, dizendo que chamaria a polícia. Porém, Antônio sorriu e continuou agredindo Rosana.

O feminicida fugiu de bicicleta e, quando os vizinhos entraram na residência de Rosana, já a encontraram sem vida, caída no chão. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado e constatou ferimento na região frontal do crânio, com bastante sangramento.

Antônio se escondeu na casa de parentes e resistiu à abordagem da PM, mas foi algemado e preso em flagrante por feminicídio, ameaça e desacato. Durante o trajeto até a delegacia, ele teria ameaçado os policiais e alegou ser familiar de políticos, dizendo que usaria sua suposta influência para prejudicar a carreira da equipe.

Rosana é a segunda vítima de feminicídio neste ano de 2026, em Mato Grosso do Sul. O primeiro caso aconteceu na manhã de 16 de janeiro, na região de Damacuê, distrito localizado na zona rural de Bela Vista, a 313 quilômetros de Campo Grande. Josefa foi assassinada pelo marido, que se matou após o crime.

Feminicídios registrados em MS em 2026:

  • Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
  • Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro.

Midiamax

 

 

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