EDITORIAL Em Cassilândia houve aumento da criminalidade devido ao efeito Aporé-Inocência, migração generalizada e baixo efetivo policial

O Cassilândia Urgente vem analisando, nestes dias, a situação sócio-econômica do município devido ao boom econômico que já se dissipou em Aporé e à explosão que se verifica em Inocência, que impactaram diretamente em Cassilândia.

Ouvimos também profissionais da área de segurança pública e constatamos que a preocupação é grande entre os gestores e policiais que atuam na região Costa Leste quando o assunto é Cassilândia.

Aporé e os efeitos em Cassilândia

A agroindustrial Nardini investiu cerca de R$ 800 milhões na construção de sua planta do álcool em Aporé que ficou concluída em 2023. Esse reflexo impactou diretamente Cassilândia, localizada a cerca de 30 quilômetros da cidade goiana. Boa parte da mão de obra utilizou Cassilândia como dormitório, o que foi bom para a nossa economia nos segmentos de aluguel de casas, quitinetes, ocupação em hotéis e segmentos de serviços e revendas de produtos gerais.

Mas em 2023 a planta foi inaugurada e milhares de trabalhadores foram dispensados, ficando uma parte em Cassilândia, pois muitos desses pais de família não tem condições de irem para suas cidades, enquanto uma parte foi contratada pela Arauco chilena para a construção da planta da agroindústria de eucalipto-celulose em Inocência.

Inocência e a manutenção da nossa economia em alta

A “salvação” de Cassilândia é que a Arauco de Inocência contratou parte da sobra da mão de obra de Aporé e vem aquecendo a economia local nos segmentos de comércio e serviços, especialmente hotelaria, aluguéis e alimentos, o que é ótimo para Cassilândia.

Cassilândia virou uma cidade-dormitório a serviço da agroindústria de Inocência, o que também é excelente para a nossa economia.

Insegurança e falta de investimentos

Onde tem progresso tem impacto direto na segurança pública. Nós ouvimos alguns profissionais ligados à segurança pública e o que ouvimos foi muita preocupação com a situação de Cassilândia tanto agora quanto ao futuro, pois aumentaram os índices de violência na cidade, especialmente em furtos e roubos, pois há muita gente desempregada.

Pelo que ouvimos desses profissionais de segurança é que Cassilândia possui um efetivo policial muito aquém do necessário, sobretudo nessa fase de “boom” econômico em Inocência, com investimentos de R$ 25 bilhões até 2027 quando a planta da Arauco estará concluída, conforme previsão do grupo chileno.

A cidade tem hoje apenas um delegado, pois perdeu o delegado que substitui no plantão, sobrecarregando o atendimento a uma demanda que cresceu muito.

Também é considerado muito pequeno o efetivo de policiais civis e militares, sobrecarregando esses profissionais no cotidiano no trabalho de prevenção e combate ao crime.

Duas facções do crime atuam em Cassilândia

Uma realidade clara para esses profissionais é que há hoje atuando em Cassilândia duas facções criminosas (que seriam o PCC e o Comando Vermelho), afinal aumentou a população extraoficial (que vieram de outras regiões do País) que está aqui desempregada e sem perspectivas de trabalho a curto e médio prazo. E essas facções criminosas exploram o tráfico de drogas, afinal a divisa com Goiás as protege como rota de fuga em caso de necessidade.

Na opinião desses profissionais de segurança, a violência também aumentou significativamente, houve uma alta nos furtos, roubos e consumo de drogas. Também houve a instalação de pessoas oriundas de outros Estados, que por um motivo ou outro, ficaram desempregadas, agora sem condições de voltarem para a sua terra de origem ou também não querem, estão aumentando também a taxa de desemprego.

Por enquanto não se tem noção do número populacional, pois essas pessoas que vieram para trabalhar em Aporé-Goiás não constam na relação de moradores da cidade de Cassilândia, além de que a polícia não tem conhecimento de suas possíveis fichas criminais.

Imagina então a dificuldade que a polícia tem enfrentado devido à identificação do local de crime, pois ela está habituada com os criminosos locais que praticavam atos conhecidos e agora bagunçou-se tudo.
Outra observação é que Cassilândia era área livre, agora é faccionada, com a confirmação de no mínimo duas facções criminosas instaladas.
A solução
Cabe à classe política local, especialmente os três poderes unidos (Executivo, Legislativo e Judiciário) buscar soluções junto aos governos estadual e federal quanto a investimentos e aumento do efetivo policial, melhoria da estrutura policial com novas viaturas, melhores acomodações, enfim mais policiais nas ruas para combater esse “novo normal” da violência em Cassilândia.
Se nada for feito, estaremos à mercê dos criminosos atuando livremente. A hora é agora. Bora trabalhar!
CORINO ALVARENGA
EDITOR DO CASSILÂNDIA URGENTE
Onde tem violência urbana também tem violência escolar? | SciELO em  Perspectiva: Humanas

Imagem ilustrativa

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