Cassilândia hoje vai muito bem economicamente devido à verdadeira explosão econômica que ocorre em Inocência, localizada a cerca de 89 quilômetros daqui.
Mas é preciso que os empreendedores cassilandenses invistam com uma certa cautela em expansão nos segmentos de construção de casas, quitinetes e ampliações de hotéis.
Durante a construção da Nardini, em Aporé, Goiás, houve um investimento de aproximadamente R$ 800 milhões na construção de seu parque industrial, o que alavancou a economia regional, incluindo Cassilândia e beneficiando os setores de hotelaria, aluguel de casas e quitinetes, construção civil, serviços diversos e revendas de produtos em geral.
Houve o ápice desse “boom” econômico em benefício de Cassilândia que foi se dissipando conforme Aporé foi se reestruturando para atender à demanda, além de que houve uma redução drástica na mão de obra das fases de construção para a manutenção da agroindústria.
O mesmo fenômeno que houve em relação ao Aporé, irá ocorrer, num futuro não muito distante, em relação a Inocência, que receberá ao todo investimentos de cerca de R$ 25 bilhões a curto, médio e longo prazos do grupo chileno Arauco, no segmento de agroindústria de celulose.
Assim que Inocência se reestruturar e conseguir atender a toda essa demanda, haverá uma redução de busca por serviços e produtos em cidades da região, a exemplo de Cassilândia, além de que o mesmo fenômeno ocorrido em Aporé irá se tornar realidade em Inocência, a exemplo do que já está ocorrendo em Ribas do Rio Pardo, onde milhares de trabalhadores deixaram a cidade após o término da construção do parque industrial da empresa Suzano.
É preciso ressaltar também que as empresas modernas estão utilizando cada vez mais máquinas e equipamentos automatizados que substituem a mão de obra, o que significa menos trabalhadores no plantio do eucalipto, na manutenção da planta e na colheita.
O Cassilândia Urgente ouviu alguns profissionais liberais da cidade que chegaram a uma conclusão que nos parece sensata: é salutar ao empreendedor fazer investimentos e ampliar seus negócios, mas é aconselhável fazer isso com os pés no chão porque esses milagres econômicos na base da carona regional tem dia e hora para perder a intensidade ou até para acabar.
As cidades de Aporé e de Ribas do Rio Pardo já vivem essa dura realidade, a do êxodo de trabalhadores rumo a outras cidades que lhes ofereçam boas oportunidade de trabalho.
Muitas empresas que investiram e fizeram altos financiamentos nessas cidades estão hoje em situação financeira complicada em função da retração da demanda de forma repentina.
Caldo de galinha e cautela não fazem mal a ninguém.
