Adolescente é internado em estado grave após ter corpo incendiado por colega de 12 anos em MS

Vítima sofreu queimaduras de terceiro grau e afirmou, antes de ser intubada, que o colega colocou fogo nela de propósito após uma discussão, segundo a Polícia Civil

Um menino de 12 anos foi apreendido em flagrante por ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio após o colega, uma criança de 11 ano, sofrer queimaduras de terceiro grau na Vila Popular, em Campo Grande. A vítima precisou ser intubada e permanece internada.

O caso aconteceu na tarde de terça-feira (4). Inicialmente, a Polícia Militar foi acionada pelo Centro de Operações da PM (Copom) após a entrada de uma criança com queimaduras graves na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Mônica.

Na unidade de saúde, os policiais conversaram com testemunhas e profissionais da assistência social. A vítima havia sido levada por uma vizinha e, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser intubada, o que impediu um depoimento mais detalhado naquele momento.

Como havia informações divergentes sobre a origem das queimaduras, os militares seguiram até a residência onde o fato ocorreu, na Vila Popular. No local, encontraram o adolescente envolvido, que estava sozinho na casa.

Aos policiais militares, o menino contou que ele e o amigo haviam decidido colocar fogo em uma pedra localizada nos fundos do quintal usando um galão com cinco litros de álcool. Segundo esse relato, ao aproximar um isqueiro do líquido inflamável, ocorreu uma combustão repentina, que lançou as chamas sobre a vítima.

Ainda conforme o relato do adolescente suspeito, ele ainda tentou socorrer o amigo usando água do chuveiro e recipientes da cozinha para apagar o fogo. Depois, trocou as roupas da vítima e pediu ajuda a vizinhos e até a coletores de lixo que passavam pela região.

Depoimento da vítima mudou rumo da investigação

A versão apresentada pelo adolescente, no entanto, passou a ser contestada durante a investigação.

Segundo a delegada Daniela Kades, da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), antes de ser intubado, o menino ferido conseguiu prestar depoimento no hospital e afirmou que o colega teria ateado fogo nele de forma proposital, após uma discussão entre os dois.

De acordo com a delegada, foi esse relato que motivou a apreensão em flagrante do adolescente por ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio.

“A vítima contou, antes de ser entubada, que o outro menino colocou fogo nela de propósito depois que eles discutiram. Então, pelo que aparenta, não foi uma brincadeira”, afirmou Daniela Kades.

Por envolver dois menores, a delegada informou que outros detalhes da investigação não serão divulgados para preservar a identidade dos envolvidos.

Investigação

Após o atendimento da ocorrência, a Polícia Militar fotografou o local e os objetos utilizados para auxiliar na perícia. O caso foi encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol), onde teve início o registro da ocorrência.

Com o avanço das investigações e o depoimento da vítima, o caso passou a ser conduzido pela Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), que apura as circunstâncias do ocorrido e busca esclarecer o que motivou a agressão.

A Polícia Militar reforçou o alerta para que líquidos inflamáveis sejam mantidos fora do alcance de crianças e adolescentes, a fim de evitar acidentes graves.

*Fonte: Mirian Machado, g1 MS – Imagem Ilustrativa (Foto: Sadilla Santos)

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Morte de menina revela rede que promovia suicídios em transmissões ao vivo

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Lívia após a morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí

A morte da adolescente de 13 anos, registrada em julho em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul, levou a Polícia Civil do Estado a descobrir uma organização criminosa com atuação nacional suspeita de recrutar crianças e adolescentes pela internet para submetê-los à violência psicológica, desafios extremos, automutilação e, em casos investigados, indução ao suicídio.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Lívia após a morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, descobrindo uma organização criminosa nacional que recruta crianças pela internet para submetê-las à automutilação e indução ao suicídio. A operação cumpriu seis mandados de busca e apreensão e uma prisão em cinco estados. O Ministério da Justiça pedirá à ANPD investigação sobre o Discord e o Telegram.

A descoberta deu origem à Operação Lívia, deflagrada nesta terça-feira (4) e coordenada nacionalmente pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), de Mato Grosso do Sul, em conjunto com o Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), da Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ao apresentar os resultados da operação, durante coletiva em Brasília, o secretário nacional de Direitos Digitais do MJSP, Victor Oliveira Fernandes, afirmou que a investigação revelou uma estrutura criminosa que utilizava diferentes plataformas digitais para promover desafios de violência extrema contra crianças e adolescentes.

Vários matérias foram apreendidos, como bandeira associada ao movimento confederado dos EUA, visto hoje como símbolo racista, além de capuz, facas, simulacro de arma de fogo e equipamentos eletrônicos que serão periciados.

“Identificamos a articulação desses grupos de violência que funcionavam por meio de desafios de violência extrema voltados para crianças e adolescentes. Esse grupo atua simultaneamente no Telegram, fazendo comunicações e propagandas de eventos de automutilação e de induzimento ao suicídio de crianças e adolescentes, que são transmitidos em tempo real dentro da plataforma do Discord”, afirmou.

Segundo o secretário, foi justamente uma dessas ações investigadas que culminou na morte da adolescente sul-mato-grossense.

“Num desses casos, infelizmente, veio a culminar numa situação de suicídio por parte de uma vítima do Estado do Mato Grosso do Sul.”

Investigação começou em Mato Grosso do Sul

Conforme a Polícia Civil, as investigações começaram logo após a morte da adolescente, em Naviraí. As primeiras diligências realizadas pela DEPCA, em atuação integrada com o Ciberlab, mostraram que o caso não se tratava de um episódio isolado.

A análise das evidências digitais permitiu identificar uma organização criminosa estruturada, com atuação nacional, que utilizava plataformas digitais para localizar adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional, estabelecer vínculos de confiança e exercer controle psicológico progressivo sobre as vítimas.

Durante a investigação, a DEPCA identificou outra vítima em outro estado brasileiro e reuniu elementos que indicam a possível existência de outras vítimas ainda não localizadas.

Equipamentos eletrônicos apreendidos pela Polícia Civil serão submetidos à perícia para auxiliar na investigação da organização criminosa com atuação em plataformas digitais. (Foto: Polícia Civil)

Computadores, notebook e outros equipamentos eletrônicos apreendidos durante a Operação Lívia serão periciados para identificar novos envolvidos e possíveis vítimas da organização criminosa. (Foto: Polícia Civil)

Como o grupo atuava

Segundo a investigação, os integrantes mantinham atuação permanente em diferentes plataformas digitais, onde recrutavam crianças e adolescentes para grupos fechados destinados à manipulação psicológica.

Após conquistar a confiança das vítimas, os investigados passavam a impor um processo contínuo de coação, isolamento e violência psicológica. Entre as práticas identificadas estão desafios de violência crescente, automutilação, humilhações, exposição degradante e outras exigências utilizadas para ampliar o controle exercido sobre os adolescentes, chegando, em situações extremas, à indução ao suicídio.

Operação alcançou cinco estados

A partir da coordenação exercida pela DEPCA de Mato Grosso do Sul e pelo Ciberlab, foram cumpridas simultaneamente seis medidas de busca e apreensão contra adolescentes investigados e um mandado de prisão contra um adulto.

As ordens judiciais foram executadas em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará e Pará. Para acompanhar pessoalmente parte das diligências, equipes da DEPCA foram deslocadas ao Rio de Janeiro e ao Ceará, enquanto as demais ações ficaram a cargo das polícias civis locais.

Segundo a Polícia Civil, o material poderá auxiliar na identificação de novas vítimas

Celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos foram apreendidos e serão submetidos à perícia especializada. Segundo a Polícia Civil, o material poderá auxiliar na identificação de novas vítimas, na individualização da conduta dos investigados e na responsabilização de outros integrantes da organização.

Plataformas também serão investigadas

Durante a coletiva, o Ministério da Justiça informou que encaminhará à Autoridade Nacional de Proteção de Dados pedido para apurar a atuação das plataformas Discord e Telegram.

Segundo a pasta, há indícios de que os ambientes digitais foram utilizados pela organização para recrutamento, comunicação entre integrantes e realização das práticas investigadas.

As investigações prosseguem e novas medidas poderão ser adotadas conforme a análise do material apreendido.

Campo Grande News Por Gabi Cenciarelli

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