Com disparada de recuperações judiciais, banco de Vorcaro afundou gigantes do agro em MS

Com negócios intermediados por banco de Vorcaro, pedidos de recuperação judicial do agro dispararam em MS. (Imagem Ilustrativa, Gemini)

O aumento das recuperações judiciais de empresas que atuam no agronegócio em Mato Grosso do Sul também revelou o envolvimento de instituições financeiras ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — e de um conglomerado de outras instituições financeiras.

Em 2025, 216 empresas do setor fecharam as portas no Estado. Mas, muito antes, os bancos de Vorcaro deram crédito a empresas, que acabaram falindo nos últimos anos. Inclusive, gigantes do agro enfrentam recuperação judicial por conta de dívidas com Indusval, Voiter e Pleno — que teve liquidação decretada pelo Banco Central.

O Indusval foi fundado em 1967 e renomeado para Voiter em 2020. Vorcaro comprou a instituição em 2024, modificando o nome para Pleno. Em um dos casos de recuperação judicial, o Pleno assumiu a cobrança de dívida de R$ 89 milhões do Voiter.

Recuperações judiciais ‘explodiram’ no Brasil

Dados do Serasa Experian, consultoria de crédito para pessoas físicas e jurídicas, apontam um crescimento de 56,4% nas recuperações judiciais no Brasil entre 2024 e 2025. Foram 1.990 solicitações de recuperação judicial, o maior volume desde o início da série histórica, em 2021.

Mato Grosso do Sul registrou, em 2025, 216 pedidos, o quarto maior volume do país. De acordo com o líder de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, no ano passado, manteve-se a pressão sobre as finanças do setor.

“O ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais. Ainda assim, continuamos ressaltando que a renegociação de dívidas e o planejamento financeiro são as melhores estratégias, e a recuperação judicial deve ser o último recurso a ser utilizado”, declarou.

Voiter, de Vorcaro, é maior credor de gigante do agro que está em recuperação judicial

A família Sperafico é tradicional no agronegócio de Mato Grosso do Sul e do Paraná. Os irmãos ainda fizeram carreira política, com Dilceu Sperafico como deputado federal entre 1995 e 2018, pelo Paraná, e Dilso Sperafico de 1995 a 1999, por Mato Grosso do Sul.

O Grupo Sperafico nasceu no Paraná, estende-se para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará, chegando ao auge em 2007, quando chegou a faturar R$ 1,2 bilhão com plantio de soja, milho e trigo, além da produção de derivados.

Na época, eram 49 filiais, 34 armazéns para estocagem de grãos, com capacidade estática para 1 milhão de toneladas, cinco unidades de esmagamento de soja, que juntas processavam diariamente cerca de 7 mil toneladas de soja, empregando aproximadamente 1.600 funcionários de forma direta.

Porém, a alta do preço da soja, aliada à crise financeira global de 2008, levou o conglomerado a entrar em colapso, com falta de recursos para pagar fornecedores e empréstimos bancários. Entre as instituições das quais o Sperafico tomou dinheiro, está o Indusval.

Em 2022, o Grupo Sperafico pediu recuperação judicial após 65 anos de atividade. Assim, ao pedir recuperação judicial, o Grupo Sperafico declarou à Justiça de Mato Grosso do Sul uma dívida de R$ 1.076.208.843,35.

No ano passado, o valor devido subiu para R$ 1.960.361.361,92. O Voiter — que substituiu o Indusval — é o maior credor do conglomerado, com um acumulado de R$ 85.305.955,27.

Porém, a natureza da dívida do Voiter é quirografária, ou seja, tem origem em crédito dado sem garantia. Isso quer dizer que o banco que pertenceu a Vorcaro emprestou dinheiro ao conglomerado sem contrapartida alguma.

Nesse caso, em recuperações judiciais, esse tipo de dívida não entra na fila prioritária. Mas, por ser o maior credor, o Voiter pode atrasar as negociações. O banco vem participando das assembleias de credores, como a realizada em abril de 2025.

O Indusval também consta como credor da Brasamid Agroindustrial, de Bataguassu, que já teve a falência decretada por dificuldade de quitar as dívidas; e da Cooagri (Cooperativa Agropecuária e Industrial), de Dourados, que também teve as atividades encerradas.

A Brasamid tinha em 2017 um acumulado de R$ 6 milhões em dívidas, sendo R$ 249 mil apenas com o Indusval. A reportagem não encontrou dados recentes do saldo que o banco de Vorcaro tem a receber da Cooagri.

Midiamax

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